Badayo é uma fusão de palavras significativas: em Yorubá, "Dayo" significa "a alegria chegou", e em Akan, "Ba" significa "criança". Escolhi essas palavras para representar meu ateliê, porque a arte é o meio pelo qual a alegria chega à minha criança interior. Esse nome simboliza meu compromisso em criar e me expressar com autenticidade, enquanto resgato e celebro minha ancestralidade.

 

Meu ateliê foi fundado em 2015, quando, durante a faculdade, comecei a comercializar artesanatos que eu fazia com minha mãe, como necessaires, estojos e carteiras. Hoje, com a cerâmica, estabeleci meu ateliê na cidade de Salto, onde produzo minhas peças e ofereço aulas semanais. Criei a Vivência Aprender com o Barro, uma imersão no universo da cerâmica, já realizamos 14 edições e impactamos quase 60 alunos.

 

Costumo dizer que a arte salva e o barro cura. Ao moldar cada peça, sou transformada internamente, no silêncio da criação, aprendo sobre o tempo, paciência e, acima de tudo, sobre autoconfiança e integralidade.

 

Minha referência maior é a ritualística que há por trás do fazer indigena na cerâmica, a possibilidade de encarar o barro como fonte para construir sua própria cultura, como uma maneira de materializar o que é divino e importante para a comunidade, procuro trazer para minha produção artística, a elaboração e minhas próprias vivências, os processos de cura que vivo, daquilo que defendo, acredito, minha peças são assim como uma espécie de grito, onde posso materializar meu sonho de construir um novo mundo

 

Meu trabalho se dá através da manualidade em diálogo com o barro, produzo pequena preces de cerâmica - peças decorativas que carregam a força de palavras que intuo, esculturas de orixás, brincos e peças utilitárias aqui encaradas como suporte para demonstração de afeto.

 

Sobre mim:

 

Sou Geisah Gomes, nascida no interior de São Paulo, filha de Ivani e Hélio um casal interacial, bissexual, me formei Assistente Social na PUC - SP,  atuei em projetos sociais como arte educadora, sou poeta e em 2022 encontrei o barro e desde então tenho me aprofundado nessa prática ancestral.